O olhar crítico de Maria Helena Estrada

18 de janeiro de 2011

Nós já entrevistamos Tina e Lui e Bernardo Senna. Agora, a cada semana vamos apresentar mais um personagem singular da Casa Brasil, uma das mais importantes feiras de design de produtos. Hoje, o espaço é destinado à Maria Helena Estrada: crítica de design, jornalista, editora da revista ARC Design e curadora do evento.

Conhecida no País e no mundo por seu olhar crítico e apurado sobre design, Maria Helena viu seu interesse pela área despertar na época em que foi assistente de um arquiteto austríaco. “Ele era brilhante, maravilhoso. Ali eu comecei a me interessar, vi que aquilo era muito interessante. Como eu tinha muito tempo livre, lia muito e comecei a ver o barato da coisa. A minha vocação era escrever ficção. E percebi que, quando você fala de design, você está falando de vida. De comportamento também, mas especialmente de vida. Tudo está ali. Todas as suas emoções sendo traduzidas, os comportamentos, os tempos. É esse aspecto do design que me interessa, e eu vi que podia escrever sobre o que bem entendesse tendo como gancho o design. E aí fui soltando a escrita”, conta ela.

E esse olhar apurado é fundamental para o processo de seleção dos expositores da Casa Brasil. “Têm pessoas que olham tudo com o mesmo olhar. Eu tenho esse sentido crítico muito aguçado, para o bem e para o mal. Acho que quando olho, já decodifico um pouco. Não sei olhar assim: ‘eis uma cadeira’. Não. Quando eu vou fazer uma exposição, não junto um monte de cadeiras, uma ao lado da outra, e pronto. É preciso entender profundamente daquilo. Tem pessoas que não enxergam a crítica e, quando vão fazer uma exposição, simplesmente reúnem. Falta massa crítica”, afirma ela, ressaltando que a Casa Brasil é uma das únicas feiras do mundo que não permite cópias. “Casa Brasil é sinônimo de seriedade e critério.”

Defensora da produção criativa e responsável, Maria Helena destaca que o design precisa repousar no tripé forma, função e sustentabilidade. “O desenho é o que menos importa. Se você pega qualquer movimento, escola ou designer importante, o que menos importa é a forma. Aliás, para o planeta, o que menos importa é a forma. O que mais importa são os materiais e as tecnologias”, assegura.

Sobre a próxima edição da feira, que acontece em agosto, a curadora adianta que, além de incentivar a participação das empresas e estimular os negócios, a Casa Brasil apostará na formação dos públicos envolvidos, preocupando-se com aspectos culturais e com a valorização do design brasileiro.

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